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2016-09-15

Rui Veloso - Anel de Rubi

Excerto da música do concerto ao vivo e gratuito dado na Avenida dos Aliados, Porto.


Tu eras aquela que eu mais queria
Para me dar algum conforto e companhia
Era só contigo que eu sonhava andar
Para todo o lado e até quem sabe talvez casar

Ai o que eu passei só por te amar
A saliva que eu gastei para te mudar
Mas esse teu mundo era mais forte do que eu
E nem com a força da música ele se moveu

Mesmo sabendo que não gostavas
Empenhei o meu anel de rubi
P'ra te levar ao concerto que havia no Rivoli

E era só a ti, que eu mais queria
Ao meu lado no concerto nesse dia
Juntos no escuro de mão dada a ouvir
Aquela música maluca sempre a subir
Mas tu não ficaste nem meia hora
Não fizeste um esforço p'ra gostar e foste embora

Contigo aprendi uma grande lição
Não se ama alguém que não ouve a mesma canção

Mesmo sabendo que não gostavas
Empenhei o meu anel de rubi
P'ra te levar ao concerto que havia no Rivoli

Foi nesse dia que percebi
Nada mais por nós havia a fazer
A minha paixão por ti, era um lume
Que não tinha mais lenha por onde arder

Mesmo sabendo que não gostavas
Empenhei o meu anel de rubi
P'ra te levar ao concerto que havia no Rivoli

Texto escrito ao abrigo do Novo Acordo Ortográfico, ou então não. 
Publicado no Papeladas.
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2016-09-09

Rui Veloso - Não Há Estrelas no Céu

Excerto da música do concerto ao vivo e gratuito dado na Avenida dos Aliados, Porto.


Não há estrelas no céu a dourar o meu caminho,
Por mais amigos que tenha sinto-me sempre sozinho.
De que vale ter a chave de casa para entrar,
Ter uma nota no bolso pr'a cigarros e bilhar?

[Refrão]
A primavera da vida é bonita de viver,
Tão depressa o sol brilha como a seguir está a chover.
Para mim hoje é Janeiro, está um frio de rachar,
Parece que o mundo inteiro se uniu pr'a me tramar!

Passo horas no café, sem saber para onde ir,
Tudo à volta é tão feio, só me apetece fugir.
Vejo-me à noite ao espelho, o corpo sempre a mudar,
De manhã ouço o conselho que o velho tem pr'a me dar.

[Refrão]

Hu-hu-hu-hu-hu, hu-hu-hu-hu-hu.

Vou por aí às escondidas, a espreitar às janelas,
Perdido nas avenidas e achado nas vielas.
Mãe, o meu primeiro amor foi um trapézio sem rede,
Sai da frente por favor, estou entre a espada e a parede.

Não vês como isto é duro, ser jovem não é um posto,
Ter de encarar o futuro com borbulhas no rosto.
Porque é que tudo é incerto, não pode ser sempre assim,
Se não fosse o Rock and Roll, o que seria de mim?

[Refrão]

Não há-á-á estrelas no céu...


Texto escrito ao abrigo do Novo Acordo Ortográfico, ou então não.
Publicado no Papeladas.
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2016-09-08

Rui Veloso - Baile da Paróquia

Excerto da música do concerto ao vivo e gratuito dado na Avenida dos Aliados, Porto.


Fui ao baile da paróquia
Por alturas do Sao Pedro
Levei a minha lambreta
E o meu velho blusao negro.

Pus calcas americanas
Cocadas e muito justas
Calcei botas alentejanas
E cosi um dragao nas costas.

Punham só Gianni Morandi
Nelson Ned e Marissol
Fui ter com o disco-joca
E encomendei rock and roll.

Fui ao baile da paróquia
La prós lados de Valbom...
Fui ao baile da paróquia
La prós lados de Valbom...

Fui buscar a paroquiana
mais bela da diocese
Era tao pura e singela
Que até dava catequese.

Ensinei-lhe a dancar shake
Pus a pista em alvoroco
Quando fomos dancar slow
A bela nao me deu roco

Puxei-lhe o braco com forca
Fiz uma cena de macho
Estavam la os irmaos dela
Levei um arraial de facho.

Fui ao baile da paróquia
La prós lados de Valbom...
Fui ao baile da paróquia
La prós lados de Valbom...

Vim de la feito num oito
Com a poupa esfrangalhada
E nao me valeu de nada
Dizer que era baterista
Ja ninguém tem respeito
Pelos excessos de um artista!

Fui ao baile da paróquia
La prós lados de Valbom...
Fui ao baile da paróquia
La prós lados de Valbom...

Texto escrito ao abrigo do Novo Acordo Ortográfico, ou então não.
Publicado no Papeladas.
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2016-09-07

Rui Veloso - Porto Sentido

Excerto da música do concerto ao vivo e gratuito dado na Avenida dos Aliados, Porto.


Quem vem e atravessa o rio
Junto à serra do Pilar
Vê um velho casario
Que se estende ate ao mar

Quem te vê ao vir da ponte
És cascata, são-joanina
Erigida sobre o monte
No meio da neblina.

Por ruelas e calçadas
Da Ribeira até à Foz
Por pedras sujas e gastas
E lampiões tristes e sós.

E esse teu ar grave e sério
Num rosto de cantaria
Que nos oculta o mistério
Dessa luz bela e sombria

[refrão]
Ver-te assim abandonada
Nesse timbre pardacento
Nesse teu jeito fechado
De quem mói um sentimento

E é sempre a primeira vez
Em cada regresso a casa
Rever-te nessa altivez
De milhafre ferido na asa

Texto escrito ao abrigo do Novo Acordo Ortográfico, ou então não.
Publicado no Papeladas.
Invisible Top News: Start Of The 2016 Paralympics, Greta Van Susteren, PlayStation Network, ITT Tech, College football rankings
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2016-09-06

Rui Veloso - Chico Fininho

Excerto da música do concerto ao vivo e gratuito dado na Avenida dos Aliados, Porto.


Gingando pela rua
Ao som do Lou Reed
Sempre na sua
Sempre cheio de speed
Segue o seu caminho
Com merda na algibeira
O Chico Fininho
O freak da cantareira

Chico fininho
Uuuuuuh uuuuuuh (x4)

Aos sss pela rua acima
Depois de mais um shoot nas retretes
Curtindo uma trip de heroína
Sapato bicudo e joanetes

A noite vem já e mal atina
Ele é o maior da cantadeira
Patchuli borbulhas e brilhantina
Cólica escorbuto e caganeira

Chico fininho
Uuuuuuh uuuuuuh (x4)

Sempre a domar a cena
Fareja a judite em cada esquina
A vida só tem um problema
O ácido com muita estricnina

Da cantareira baixa
Da baixa cantareira
Conhece os flipados
Todos de gingeira

Chico fininho
Uuuuuuh uuuuuuh (x4)

Texto escrito ao abrigo do Novo Acordo Ortográfico, ou então não.
Publicado no Papeladas.
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2016-09-05

Rui Veloso - Lado Lunar

Excerto da música do concerto ao vivo e gratuito dado na Avenida dos Aliados, Porto.


Não me mostres o teu lado feliz
A luz do teu rosto quando sorris
Faz-me crer que tudo em ti é risonho
Como se viesses do fundo de um sonho

Não me abras assim o teu mundo
O teu lado solar só dura um segundo
Não é por ele que te quero amar
Embora seja ele que me esteja a enganar

[Refrão]

Toda a alma tem uma face negra
Nem eu nem tu fugimos à regra
Tiremos à expressão todo o dramatismo
Por ser para ti eu uso um eufemismo
Chamemos-lhe apenas o lado lunar
Mostra-me o teu lado lunar

Desvenda-me o teu lado mausão
O túnel secreto a loja de horrores
A arca escondida debaixo do chão
Com poeira de sonhos e ruínas de amor

Eu hei-de te amar por esse lado escuro
Com lados felizes eu já não me iludo
Se resistir à treva é um amor seguro
à prova de bala à prova de tudo

[refrão]

Mostra-me o avesso da tua alma
Conhecê-lo e tudo o que eu preciso
Para poder gostar mais dessa luz falsa
Que ilumina as arcadas do teu sorriso

Não é por ela que te quero amar
Embora seja ela que me vai enganar
Se mostrares agora o teu lado lunar
Mesmo às escuras eu não vou reclamar

Texto escrito ao abrigo do Novo Acordo Ortográfico, ou então não.
Publicado no Papeladas.
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2016-09-02

Rui Veloso - O Prometido é Devido

Excerto da música do concerto ao vivo e gratuito dado na Avenida dos Aliados, Porto.


Naquele trilho secreto
Com palavras santo e senha
Eu fui língua e tu dialecto
Eu fui lume e tu foste lenha

Fomos guerras e alianças
Tratados de paz e péssangas
Fomos sardas pele e tranças
Popeline seda e ganga

Recordo aquele acordo
Bem claro e assumido
Eu trepava um eucalipto
E tu tiravas o vestido

Dessa vez tu não cumpriste
E faltaste ao prometido
Eu fiquei sentido e triste
Olha que isso não se faz

Disseste que se eu fosse audaz
Tu tiravas o vestido
O prometido é devido

Rompi eu as minhas calças
Esfolei mãos e joelhos
E tu reduziste o acordo
A um montão de cacos velhos

Eu que vinha de tão longe
(do outro lado da rua)
Fazia o que tu quisesses
Só para te poder ver nua

Quero já os almanaques
Do fantasma e do patinhas
Os falcões e os mandrakes
Tão cedo não terás novas minhas

Texto escrito ao abrigo do Novo Acordo Ortográfico, ou então não.
Publicado no Papeladas.
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2016-09-01

Rui Veloso - Logo que passe a Monção

Excerto da música do concerto ao vivo e gratuito dado na Avenida dos Aliados, Porto.


Num banco de névoas calmas quero ficar enterrado
Num casebre de bambú na minha esteira deitado
A fumar um narguilé até que passe a monção
Enquanto a chuva derrama a sua triste canção

Sei que tenho de partir logo que suba a maré
Mas até ela subir volto a encher o narguilé
Meu capitão já é hora de partir e levantar ferro
Não me quero ir embora diga que foi ao meu enterro

Deixem-me ficar deitado a ouvir a chuva a cair
Que ainda estou acordado só tenho a alma a dormir
Como a folha de bambú a deslizar na corrente
Apenas presa ao mundo por um fio de água morrente

Nos arrozais morre a chuva noutra água há-de nascer
Abatam-me ao efectivo também eu me vou sem morrer
Para quê ter de partir logo que passe a monção
Se encontrei toda a fortuna no lume deste morrão

Ópio bendito ópio minhas feridas mitiguei
Meu bálsamo para a dor de ser
Em ti me embalsamei
Ópio maldito ópio foi para isto que cheguei
Uma pausa no caminho
Numa névoa me tornei


Texto escrito ao abrigo do Novo Acordo Ortográfico, ou então não.
Publicado no Papeladas.
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2016-08-31

Rui Veloso - Jura

Excerto da música do concerto ao vivo e gratuito dado na Avenida dos Aliados, Porto.



Jura que não vais ter uma aventura
Dessas que acontecem numa altura
E depois se desvanecem
Sem lembrança boa ou má
E por isso mesmo se esquecem

Jura que se tiveres uma aventura
Vais contar uma mentira
Com cuidado e com ternura
Vais fazer uma pintura
Com uma tinta qualquer
Que o ciúme é queimadura
Que faz o coração sofrer

Jura que não vais ter uma aventura
Porque eu hei-de estar sempre à altura
De saber
Que a solidão é dura
E o amor é uma fervura
Que a saudade não segura
E a razão não serena
Mas jura que se tiver de ser
Ao menos que valha a pena

Texto escrito ao abrigo do Novo Acordo Ortográfico, ou então não.
Publicado no Papeladas.

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2016-08-30

Rui Veloso - Um trolha D'Areosa

Excerto da música do concerto ao vivo e gratuito dado na Avenida dos Aliados, Porto.


Arménio era um trolha da Areosa
Que tinha um par de olhinhos azuis
Que quando me fixavam no baile
Me punham indefesa e tão nervosa

Arménio tenho nas minhas gavetas
Aeorogramas cheios de erros de ortografia
Perfumados entre as minhas meias pretas
Aquelas que te punham em estado de euforia

Arménio fui tua madrinha - de - guerra
Rezei por ti longas novenas sem fim
Para voltares inteirinho e sem mazelas
Mas ficaste por la tao perdido no capim

Arménio quantos sonhos e planos
Prometeste que me levavas a lisboa
Em junho no dia dos meus anos
Bem sabes que a memória é um atributo dos gémeos


Texto escrito ao abrigo do Novo Acordo Ortográfico, ou então não.
Publicado no Papeladas.

2016-08-29

Rui Veloso - Primeiro Beijo

Excerto da música do concerto ao vivo e gratuito dado na Avenida dos Aliados, Porto.


Recebi o teu bilhete
Para ir ter ao jardim
A tua caixa de segredos
Queres abri-la para mim
E tu não vais fraquejar
Ninguém vai saber de nada
Juro não me vou gabar
A minha boca é sagrada

Estar mesmo atrás de ti
Ver-te da minha carteira
Sei de cor o teu cabelo
Sei o shampoo a que cheira
Já não como, já não durmo
E eu caia se te minto
Haverá gente informada
Se é amor isto que sinto

Quero o meu primeiro beijo
Não quero ficar impune
E dizer-te cara a cara
Muito mais é o que nos une
Que aquilo que nos separa

Promete lá outro encontro
Foi tão fugaz que nem deu
Para ver como era o fogo
Que a tua boca prometeu
Pensava que a tua língua
Sabia a flor do jasmim
Sabe a chiclete de mentol
E eu gosto dela assim

Quero o meu primeiro beijo
Não quero ficar impune
E dizer-te cara a cara
Muito mais é o que nos une
Que aquilo que nos separa

Texto escrito ao abrigo do Novo Acordo Ortográfico, ou então não.
Publicado no Papeladas.

2016-08-26

Rui Veloso - Porto Covo, na Avenida dos Aliados Porto

Excerto da música do concerto ao vivo e gratuito dado na Avenida dos Aliados, Porto.



Letra:
Roendo uma laranja na falésia
Olhando o mundo azul à minha frente,
Ouvindo um rouxinol nas redondezas,
No calmo improviso do poente

Em baixo fogos trémulos nas tendas
Ao largo as águas brilham como prata
E a brisa vai contando velhas lendas
De portos e baías de piratas

Havia um pessegueiro na ilha
Plantado por um Vizir de Odemira
Que dizem que por amor se matou novo
Aqui, no lugar de Porto Côvo

A lua já desceu sobre esta paz
E reina sobre todo este luzeiro
Á volta toda a vida se compraz
Enquanto um sargo assa no brazeiro

Ao longe a cidadela de um navio
Acende-se no mar como um desejo
Por trás de mim o bafo do destino
Devolve-me à lembrança do Alentejo

Havia um pessegueiro na ilha
Plantado por um Vizir de Odemira
Que dizem que por amor se matou novo
Aqui, no lugar de Porto Côvo

Roendo uma laranja na falésia
Olhando à minha frente o azul escuro
Podia ser um peixe na maré
Nadando sem passado nem futuro

Havia um pessegueiro na ilha
Plantado por um Vizir de Odemira
Que dizem que por amor se matou novo
Aqui, no lugar de Porto Côvo